Ontem, Foo Fighters declamou “It’s times like these, learn to live again. It’s times like these ,you give and give again” e tudo mudou de perspectiva. Aquilo me tocou tão dentro da alma, tão dentro do peito, tão perto de mim, que por um momento, uma lagrima escorreu!
O adeus, a despedida sem hora de reencontrar, leva consigo uma mala gigante. Nela você deposita uma porção de coisas que antes estavam na estante do seu destino. Joga sonhos ainda não realizados, um pouquinho de alegria, algum punhado de expectativas e objetivos, e pronto, você tem uma estante limpa, sem nada, zerada.
O vazio, a falta, a quebra da rotina te leva a buscar algo para suprir isso, e é nesse momento que você busca a primeira pessoa “disponível” na frente para “tapar” essa ausência. Com isso, você esconde o que sentia e se faz acreditar viver algo novo. A diferença é que eu não fiz isso, não me deixei fazer. Quando percebi que estava indo por esse caminho, recuei, fui sincera comigo mesma e me permitir sofrer. O sofrimento, a dor, não é de todo mal. É um amadurecimento forçado, que deveria mesmo acontecer, só não escolheu o melhor jeito.
Você começa a lutar com o que sente, a dominar a ausência, a falta, a saudade. Se vê pegando o celular antes de dormir e pensando “ligo ou não ligo?”, olhando fotos, buscando a pessoa em alguns lugares, e de repente é acometido ao NADA! A dor parece tornar-se aliada da sua rotina, então, ver uma foto não lhe remete a nada, falar com a pessoa não lhe remete a nada, ler uma frase novamente, não lhe remete a nada, a nenhum misero sentimento. Mas, engana-se quem acha que esse tal “sentir” não está ali.
Foi mais ou menos assim:
” - Oi, tudo bem?
- Tudo e vc?
- Tudo ótimo! hummm, esse não é o tênis, ainda falta outro.
- Tá, vou subir e buscar!
(Você fica olhando a pessoa ir, quando vê que ela subiu no elevador abaixa a cabeça e pensa consigo mesmo “Não chora agora, agora não, força, força!”)
- Tá aqui o outro!
- Ah, obrigada! Vou colocar a bike no carro.
Papo vai, papo vem, e por incrível que pareça, um assunto que parece tão inapropriado para o momento, mas algo que não magoa, não fere, não se refere a o 2 que não existe mais.
- Bem, vou indo!
(abraço distante, com medo, sem encostar de mais)
- Tá bom, tchau e se cuida!
- Você também.
Você olha no retrovisor, vê a pessoa de cabeça baixa, circulando e logo após indo embora. Sua vontade e sair do carro correndo (correndo mesmo), puxá-la pelo braço e dizer tudo aquilo que seu coração esta apertando no peito para falar, dar um daqueles beijos de faltar o ar. Mas, ao contrario disso, você fecha a porta do carro, dá ré, e vai embora. Despede-se do porteiro como se fosse voltar alguma outra vez. Para o carro na esquina, e chora tudo o que estava segurando.
Se não fossem as tristezas, nos não saberíamos o que é felicidade!
Todo aquele NADA some, e você sente tudo de novo. Tão forte quanto tomar uma paulada na cabeça. Tudo balança. O sentimento, a falta, a ausência que você ACHOU que tinha controlado, na verdade, tá tudo aí, intrinsecamente em você.
Após levar essa primeira rasteira do “NADA”, você está a flor da pele com seus sentimentos e é acometido agora a tomar um tapa da cara do destino.
Quase assim:
- Pô, Joan Jett tá tocando já, ninguém vai?
- Ah, a kat tá lá já.
- Blz, vou procurar.
Você anda cautelosamente, buscando entre as milhares de pessoas que descidiam cantar Joan Jett naquele momento, um rosto familiar, o da sua amiga perdida.
Uma luz do palco, alguém que decidiu mudar de lugar e pronto, o destino sambando na sua cara. Lá estava ela, iluminada por alguma luz que todos ou só eu via, ao lado de um outro alguém.
Aquele show, aquele festival, aquele momento tinha sido planejado a meses, em dupla. Já era difícil por si só estar lá sem a presença da pessoa que tinha o nome estampado no seu ingresso. E quando você se depara com o fato de ver que aquele plano, que era seu e dela, foi logo adaptado para ser dela e da outra. Amigo, é quase um tapa na cara com luva de ferro.
Para não ser vista em uma situação tão lamentável, você se esconde entre a galera. E por algum motivo, Joan Jett já não brilhava no palco. Hora de voltar para a canga e ficar sentada com cara de TÁ TUDO BEM!
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Depois desse feriado com muitos altos e baixos, ontem, após o show, me permitir 4 horas de lágrimas e soluços, e muitos questionamentos do tipo: - Por que?.
Eu aguentei firme e forte, e em 3 longas semanas, me deixei abater uma ou outra vez, mas sempre por poucos minutos. Logo após, me via sentada pensando o porque disso tudo.
Não quero esconder sentimentos, e não quero por nenhum momento tapar meus buracos, as falhas deixadas por ela na minha rotina. É injusto comigo, e injusto com outra pessoa. Se eu não me der tempo, se eu não refletir horas sobre isso, se eu não sentir falta, se eu não chorar, e se eu não sorrir, de nada me valerá essa fase. Eu não saberei se é ela a pessoa que deveria passar o resto da vida ao lado, ou se foi uma daquelas paixões arrebatadoras. De qualquer forma, tem que deixar explicito mesmo, tem que manter a ferida aberta, sem curativo. Só assim ela seca e vira cicatriz. Quanto tempo vai demorar? Sabe-se lá. Mas o importante é que já tomei consciência disso. O meu “bandaid” prefiro deixar guardado, para quando cair de skate de novo. Agora, de ferida aberta e sangrando, sou mais eu de verdade, sem falsas alegrias ou falsos sorrisos. Não me escondendo atrás de uma pequena ilusão, muito menos me enganando com esperanças invalidas.
Sei o quanto me faz falta, sei o quanto amo e sei mais ainda o quanto isso modificará minha vida. Meu orgulho, meu ego, me deixam ver, me deixam sentir.
O que eu levo do Adeus? Foram mais ou menos 970 dias com ela. Várias risadas, grandes momentos, muitos sonhos e hoje, apenas estante vazia. Amanhã, seriam 1000! Mas no lugar, ficaram 23 dias sem ela!
“E sabe que serão importantes na história um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer.” (Caio Fernando Abreu)
4.8.2012 |
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